
O Brasil, ou pelo menos os que lêem jornais, estão envolvidos na efervescência (de novo) do assunto Aborto após a notícia de que a mãe de uma menina abusada pelo padrasto em Pernambuco havia autorizado o procedimento médico na menina.
O arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho criticou piamente e, apoiando-se no direito canônico (que eu só descobri que existia devido a esse assunto), disse que os médicos envolvidos e a mãe estavam sujeitos a excomunhão automática devido ao ato.
Nesta semana que passou a Igreja (leia bem, a Igreja e não o arcebispo “intruzo”) recuou sobre a excomunhão da mãe (pois ela agiu sob “pressão” dos médicos) e, segundo a Folha, não se poderia generalizar a “punição” para todos os médicos.

Diante desta farra (sim, em um lugar onde os membros da própria instituição não possuem uma comunicação interna, organizada, e ficam se contradizendo frente a mídia só pode ser considerado como uma farra) do excomunga, desexcomunga, e excomunga parcialmente quem menos foi excomungado foi o padrasto criminoso, que muito menos mereceu uma leve bronca de dom José.
Uma outra coisa que ficou obscura também foi o argumento em “defesa da vida” dos contra-aborto, do arcebispo e da Igreja. Qual vida estava sendo defendida neste momento? A vida da menina de 9 anos que deveria estar brincando com bonecas ao invés de estar gerando uma criança e que tinha grandes chances de morrer no parto, o que, em outras palavras, seria uma sentença de morte para a criança que tem toda uma vida pela frente ainda ou a vida dos gêmeos que estava sendo gerado dentro dela e que o futuro (vida ou morte) era incerto?
Minha posição sobre o aborto já deve ter ficado clara nesta poucas linhas. Vamos refletir se seguiremos a Igreja retrograda (em certos pontos, como neste caso da criança) ou se devemos pensar e analisar as situações de um ponto de vista mais amplo do que simplesmente uma pessoa te falando o que fazer e pensar.
Cada um sabe, teoricamente pelo menos, o que quer fazer com o próprio corpo, então deixem que façamos as escolhas.
Para terminarvou colocar um pedaço do texto de José Simão:
“EXCOMUNHÃO MIOJO! Olha essa: ‘CNBB diz que excomunhão por aborto é instantânea’. Instantânea? Excomunhão Miojo: o medievalesco bispo de Recife e Olinda pega um copo d´água, te joga na panela quente e, em três minutos, você tá excomungado! Principalmente se estiver salvando a vida duma criança de nove anos!”